Mulheres ainda são desvalorizadas

Desde que a mulher entrou para o mercado de trabalho, as diferenças salariais entre os gêneros existem. E nós, brasileiras, sabemos bem como é esse realidade.

Um estudo recente da Confederação Internacional dos Sindicatos (ICFTU, em inglês), afirma que no Brasil a variação é de 34%. O estudo, baseado em pesquisas com 300 mil mulheres de 24 países, afirma que estas, no mundo todo, ganham em média 22% a menos que os homens.

Depois do Brasil, as maiores diferenças ocorrem na África do Sul (33%), no México (29,8%) e na Argentina (26,1%). Nos Estados Unidos, a diferença é de 20,8%. “Se nós pararmos para pensar, o ambiente de trabalho ainda é bastante masculino. Terninho, roupas e sapatos mais fechados, além dos cabelos presos predominam nas grandes empresas. Se a mulher chora é porque ela é louca, já nos homens isso pode até ser considerado uma atitude nobre. Se ela grita também é desequilibrada, mas se eles fizerem isso é sinal de autoridade. A cultura organizacional se acostumou com elas no mercado, mas ainda existem alguns resquícios que interferem inclusive na questão salarial”, destaca a consultora empresarial Daniela do Lago.

Atualmente, a equiparação de salários entre homens e mulheres é discutida no plenário. Está em tramitação o projeto de lei 6393/09, do deputado Marçal Filho (PMDB-MS), que prevê multa para empresas que pagarem um salário menor à mulher do que ao homem. Mas ainda falta muito para que de fato ele possa valer. “Ele foi aprovado apenas pela Comissão de Trabalho, de Administração e de Serviço Público da Câmara dos deputados. Precisa ser aprovado pela Câmara dos deputados, depois pelo Senado e sancionado pelo presidente, portanto, o projeto também pode ser alterado neste caminho”, ressalta o advogado Alexandre Gaiofato de Souza.

Em uma análise mais profunda, o que aparentemente é algo benéfico para as mulheres, na prática ele não poderá surtir efeito. “Atualmente as mulheres que exercem a mesma função que homens, na mesma empresa, na mesma região e com menos de dois anos no cargo, já podem pedir na justiça do trabalho salários iguais, sem qualquer alteração na lei. Essa equiparação salarial pode ser pleiteada após a saída da funcionária e, se provada, a empresa é condenada a pagar a diferença à mulher empregada”, explica.

Sabendo disso, várias organizações não mantém pessoas de sexos diferentes no mesmo cargo. “Por exemplo, a mesma empresa pode ter uma gerente comercial e um supervisor comercial, ambos exercendo a mesma função, mas como estão com registros diferentes cada um recebe a quantia pertinente a sua função”, aponta a consultora.

Caso isso seja confirmado, Daniela, que também é professora dos cursos de MBA da Fundação Getúlio Vargas e da Universidade Municipal de São Caetano do Sul – USCS, indica procurar antes de mais nada o departamento de Recursos Humanos.

Para os dois especialistas, se o projeto se transformar em lei e fazer parte do dia-a-dia das organizações, a sua aplicação não vai alcançar o resultado esperado que é o de valorizar a mão-de-obra feminina no mercado.

Na opinião da consultora, ele poderá ser uma forma de ajudar quem trabalha em corporações cuja cultura ainda não está atenta para a questão. “Se a gente for traçar um paralelo podemos destacar a multa para empresas de médio e grande porte que não tiverem pelo menos 3% do quadro de funcionários de deficientes físicos. A lei já existia, mas depois da exigência da multa, muita coisa mudou. Não acho sou favorável ao projeto de lei dos salários, pois acho que isso deveria surgir naturalmente, mas quem sabe ele possa ajudar”, aponta.

Para o advogado, a situação também não será resolvida apenas com uma lei, mas com a evolução da sociedade. “Ela que valorizará cada vez mais o trabalho da mulher, até porque as mulheres estão conquistando mais espaço com a qualidade de seu trabalho”, finaliza.

Fonte: http://www.ronibacana.com.br

~ por alinebassanesi em junho 29, 2010.

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